Como posso ajudar o Responsa?

O RESPONSA é um negócio social que busca impactar a sociedade a médio e longo prazo graças a inserção de egressos do sistema prisional no mercado de trabalho. Por meio de atividades de áreas como serviço social, psicologia e empreendedorismo, garante a ressocialização de pessoas que saíram do cárcere, o que diminui a violência e proporciona amplo benefício social.

COMO POSSO COLABORAR COM O PROJETO?

  • DISPONIBILIZANDO VAGAS NA SUA EMPRESA:

Basta enviar detalhes das ofertas de emprego para o RESPONSA. A empresa selecionará egressos que tenham o perfil compatível com cada vaga. Um monitoramento de 6 meses a 1 ano é garantido pela equipe que verificará se cada egresso está desempenhando suas tarefas como esperado e acompanhará a sua relação com os demais colegas e superior(es) hierárquico(s).

  • SE TORNANDO PARCEIRO ATRAVÉS DE:

– 💵 Doação de recursos financeiros (esporádica ou regular);

– 📖 Oferecimento de material de apoio ou didático de formações que podem ser dadas aos egressos;

– ⏳ Disponibilização de funcionário ou prestador de serviço para ser responsável por uma formação;

– 🎁 Doação de objetos que podem ser usados durante as formações (ex: esmaltes para uma formação de manicure) ou na busca de emprego (ex: sapatos);

– 💬 Contratação de palestras de sensibilização ou de consultoria;

– 💈 Oferta de serviços em geral para a empresa (ex: serviços gráficos, audiovisual, etc);

– 📣 Divulgação do RESPONSA para seus clientes ou outras empresas.

Tem alguma outra ideia de como pode colaborar com o RESPONSA? Não deixe de entrar em contato clicando aqui.

Recomeçar + Responsa | Gerando Falcões

Os egressos do sistema prisional que fazem parte dos Projetos Recomeçar do Gerando Falcões e do Responsa – Emprego & Responsabilidade Social participaram do workshop sobre “Vendas e Atendimento ao Cliente” no Civi-Co, ministrado pela Mayra Argenton, da COMPAREX Brasil.

Escolhas que levam à prisão ou à paz

Oportunidade, tudo começa com ela e termina nela

Do latim opportunitas – opportúnus, o prefixo “ob” significa “em direção a”, a palavra “portus” significa “porto de mar”.

Em sua origem a palavra era usada para fazer menção aos ventos favoráveis ou contráriosa partida e chegada de barcos em portos.

Neste sentido, entendemos que as oportunidades podem ser positivas ou negativas, para tanto, precisamos refletir, avaliar e fazer escolhas, talvez o processo da escolha seja o mais difícil, uma vez que sofremos influências internas e externas.

Na caminhada da vida nem sempre as escolhas são propícias.

Aos treze anos de idade, eu ganhei o mundo, as ruas… Ali, eu tinha tudo o que não encontrava dentro de casa, diálogo, compreensão e aconchego.

Minha história é diferente quando pensamos no ingresso à criminalidade. Eu era uma adolescente de classe média que morava na zona leste de SP, ao redor de diversas comunidades, uma menina cheia de sonhos e indagações, que estudava em escola particular, vestia roupas de marca e tinha facilidade para conquistar amigos.

A maioria dos meus amigos tinham a mesma realidade, no entanto, alguns eram da comunidade, da favela, na verdade, éramos todos da quebrada

A quebrada era nossa, as ideologias eram as mesmas, o “fechamento” era total, o tratamento era de igual e, de verdade, tinha muito respeito e amor entre nós.

Naquela fase, só queríamos nossa independência, liberdade total, dinheiro “pro rolê” e autonomia.

Na mesma época, eu arrumei um trabalho como estoquista numa loja de shopping, mas minha mãe não concordava, na sua opinião, eu tinha que estudar, me dedicar aos estudos. Eu tinha impressão que ela fazia de tudo para eu desistir.

Todos os dias eu chegava da escola às 13 horas, almoçava, me arrumava e corria em direção ao shopping, tinha que entrar às 14 horas, retornava para casa às 22 horas e quando chegava ainda tinha como responsabilidade a louça do jantar.

O clima era tenso, muitas vezes eu ficava indignada, rolavam conflitos e, no dia seguinte, além de irritada, eu estava exausta.

Naquele ano (1994), eu não fui aprovada na escola e a situação ficou pior, as cobranças aumentaram e eu não continuei com o trabalho.

Eis que depois de um tempo surgem outras oportunidades!

As oportunidades ilícitas chegam mais rápido e, ao contrário do que muitas pessoas dizem, não é fácil cometer atos ilegais, pois eles oferecem riscos, tanto de vida quanto de privação de liberdade.

Ainda na adolescência aprendi a lidar com as perdas, com as dores, naquela época muitos se foram, algumas idas sem volta

Aos 17 anos, engravidei da minha menina que hoje está com 18 anos, ela nasceu com lábios leporinos, precisava de cuidados e a responsabilidade daquele momento trouxe um novo rumo a minha história. Fiquei um ano cuidando dela, mas passei a ficar incomodada de não estar independente financeiramente. Tive a oportunidade de conseguir um trabalho na Varig, um bom emprego na época.

Após quase dois anos na empresa, tive alguns problemas no relacionamento que era abusivo, veio a separação, passei a sair “no rolê”, as vezes faltava na empresa, logo houve uma crise, a fusão com a TAM e algumas dispensas, eu estava no meio dos escolhidos. Voltei “pro mundão”.

No total, foram 15 anos no mundo do crime, anos longos de muito aprendizado, momentos bons, momentos ruins…

Muita história foi construída, conheci diversas pessoas, tive “status”, “confiança” e “respeito” de algumas delas.

Sinceramente, não me arrependo do que vivi, toda essa história passada permitiu que eu me transformasse na pessoa que sou hoje.

Continuo sendo a mesma, uma menina cheia de sonhos e uma mulher determinada que sempre corre atrás de seus objetivos.

No ano de 2008, após inúmeros acontecimentos, passei por um processo de transição, estava cansada das perdas, procurava algum propósito. A adrenalina da “vida loka” já tinha perdido a graça, o “status” e a “confiança” adquirida não bastavam, faltava “paz”.

Nada paga ou compra a “paz”, o “sossego”, a “estabilidade”, a “segurança”. Eu precisava fazer algo para mudar, precisava deixar minha família tranquila, meus filhos precisavam ter garantias “de mãe”.

Fiz uma nova escolha, deixei tudo para trás de “cabeça erguida”, não virei as costas para o passado e nem para as pessoas que faziam parte dele, apenas mudei minha trajetória e descobri que podia continuar “somando” de maneira diferente. Esse período foi de mudanças e de resgate.

Fiz inscrição na escola, estava decidida a retomar o ensino médio, junto com esta decisão vinha o desespero, eu precisava trabalhar.

Veio a primeira surpresa! Uma pessoa maravilhosa me ofereceu uma oportunidade de trabalhar em sua papelaria temporariamente. Naquele local eu ganhava R$ 25,00 por dia, mas eu tinha paz!

O que era um “bico” durou 1 ano e 3 meses. Cursei a escola, fiz prova para o Enem, passei na prova e consegui uma bolsa de 100% na universidade.

Fui tão grata àquela pessoa, trabalhei com responsabilidade e com amor, só saí de lá quando consegui um trabalho melhor.

Esta oportunidade abriu portas para outras, a partir daí as escolhas foram sempre positivas.

As coisas foram acontecendo, as oportunidades foram surgindo, iniciei o curso de serviço social, trabalhei em um escritório de advocacia com um renomado administrador judicial, terminei a faculdade, fui assistente social em um núcleo de medidas socioeducativas, coordenadora de um projeto para egressos do Afroreggae, assistente social na PanoSocial e, hoje, fundadora e CEO do RESPONSA.

Minha história foi construída por oportunidades, assim como todas as outras histórias, no entanto, muitos não tem a sorte que eu tive, muitos não tem o acesso que eu tive.

As pessoas sempre acreditaram em mim e esta “credibilidade” que um dia me levou ao mundo da criminalidade também transformou minha realidade.

Existem muitos mundos diferentes do meu e do seu!

Você está disposto a dar oportunidade?

Quantas oportunidades você já teve ao longo de sua vida?

Seja uma pessoa de “RESPONSA”!

Ajude-nos a mudar realidades e transformar histórias!

Seja você um criador de oportunidades positivas!

Bora lá? Vamos começar?

Nós podemos te ensinar o caminho! Vamos juntos nessa RESPONSA!

“Em época de crise o sábio constrói pontes, enquanto o tolo constrói barreiras. Temos que encontrar uma maneira de cuidar direito um do outro, como se fossemos uma única tribo” (filme Pantera Negra)